A campanha eleitoral para a eleição do Presidente da República atingiu metade do caminho. Depois de uma semana cumprida pelas seis candidaturas, os discursos radicalizam-se por todos.
A entrada na última semana de campanha vai fazer que os discursos de extremem por todos os candidatos, mas já é notório que apenas metade das candidaturas entrou na disputa eleitoral para concorrer à presidência. O candidato-presidente: Cavaco Silva, Manuel Alegre e Fernando Nobre, parecem ser os únicos que concorrem para disputar directamente a presidência da república. As candidaturas de Defensor Moura, Francisco Lopes e Manuel Coelho, cada uma à sua maneira, entraram nesta disputa eleitoral para ganharem visibilidade e marcarem posição para futuros combates políticos.
A candidatura de Defensor Moura parece querer marcar uma posição para que na futura organização administrativa do país que inclua a existência das regiões administrativas possa levar algum avanço de vantagem relativamente a putativos candidatos às diferentes presidências regionais. O candidato apoiado pelo Partido Comunista Português, Francisco Lopes, parece estar a servir como barómetro de medida à receptividade do militante comunista como futuro secretário-geral do partido. O Manuel Coelho está empenhado no combate ao presidente regional da Madeira, Alberto João Jardim. Toda a candidatura parece ter sido desenhada para contribuir para a afirmação paulatina desta figura no contexto político daquela região.
O contraste do mandato presidencial de Cavaco Silva com o conteúdo da sua campanha, composta por algumas críticas às políticas do governo parece vaticinar que, caso exista a reeleição, o confronto entre Governo e Presidência será inevitável. Muito provavelmente tudo será igual ao primeiro mandato! Cavaco Silva entende o desempenho do Presidente da República como um código de silêncio onde o pensamento do Presidente deve ser omisso; as mensagens públicas devem dizer o que os Portugueses desejam ouvir, mas sem se comprometer numa clareza e transparência que a legitimidade do sufrágio universal da sua eleição obrigava a assumir. Esta é a interpretação das funções presidenciais que Cavaco Silva entende da Constituição.
Até ao final da campanha ouviremos discursos exaltados a afrontarem a postura do Governo e das suas políticas de austeridade. Seremos confrontados com ataques ao Orçamento de Estado de 2011 (OE 2011) e a defesa que os sacrifícios poderiam ter sido distribuídos de outra forma. A verdade é que o Presidente da República se comprometeu com as políticas do Governo delineadas no OE 211 e o candidato Manuel Alegre não foi capaz de distanciar-se do partido que sustenta o Governo e o apoia nesta eleição.
Esta eleição Presidencial é o velório do sistema político nascido em Abril de 1974 e a utilização do carro funerário na campanha de Manuel Coelho é a melhor imagem do estado cadavérico das instituições públicas Portuguesas.
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