A revolução está eminente como em tantos outros momentos da História. Portugal, durante o século XX, foi sujeito a três revoluções que alteraram o ordenamento político nacional. Dessas revoluções fizeram-se monarquias em repúblicas, estados democráticos em ditaduras, e ditaduras em novas democracias.
A mudança da monarquia para a república alterou, fundamentalmente, a representação dum Estado de natureza constitucional monárquica para um regime parlamentar laico, com a separação dos poderes religiosos e políticos.
A ascensão do “Estado Novo” veio resgatar um Estado em eminência de insolvência e repor todas as ideias de sobriedade, para o corpo e para a alma, numa visão que acreditava na réstia de Portugalidade que estava dispersa na diáspora Lusitânia.
No final da 2ª Guerra Mundial o mundo alterou-se, finaram-se os regimes “musculados” que tinham florescido nos anos trinta (Estado Novo incluído), e os ventos de mudança sussurravam as vozes da libertação dos povos. Em Portugal, as elites só acordaram com a força dos furações (ou dos canhões que rugiram nas antigas províncias ultramarinas), e a força demolidora da realidade colocou a nu a insustentabilidade do “status quo”.
O 25 de Abril de 1974 foi a consequência duma letargia da nação à realidade, e não tanto a reacção duma vontade inamovível de mudança. Já passaram quase quarenta anos desde que o país se tornou numa democracia republicana e laica. Nestes anos sofreram-se as histerias da revolução e os benefícios de se ter aderido à comunidade económica europeia e à união europeia.
Neste último período da História de Portugal o país modificou-se. Continuou-se a cometer os erros de sempre e a acreditar que a melhor das curas é não se fazer o que é preciso ser feito (contrariando a cantiga do Abrunhosa), e que a espera dum tempo melhor só acontece se o país ficar quieto, calado a um canto à espera que a tempestade passe!
Este Portugal “à rasca” que hoje se insurge nas ruas mobilizado pelas novas gerações deseja-se que seja o epitáfio do “desenrasca” que tantos danos causou, ao longo dos tempos e em todas a gerações, em prejuízo de muitos e beneficio de muito poucos.
sábado, 12 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
Portugal e o legado das Fundações
Num país com centenas de Fundações, muitas apoiadas financeiramente pelo Estado, mas que na generalidade desconhece-se a sua existência e para que servem, confirma-se que as excepções servem para confirmar a regra. E as excepções são aquelas instituições que contribuem com um trabalho e serviço válido à sociedade onde o carácter da Fundação privada com interesse público prevalece.
Nos anos cinquenta, durante a vigência do “Estado Novo” de Salazar, surgiu a Fundação Calouste Gulbenkian. Esta instituição privada com carácter público veio dinamizar um país pobre, com pouco recursos e escassa oferta cultural, transformando, desde então, a oferta cultural, educação e ciência de Portugal. Quem não se recorda das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian que permitiram o primeiro contacto com a leitura de tantos jovens que viviam longe das escassas bibliotecas existentes na altura? E o inegável contributo ao proporcionar a oportunidade a jovens de poderem prosseguir os seus estudos com as “bolsas” que eram concedidas?
A partir de 1969, com a inauguração do edifício-sede em Lisboa que, além de ser uma obra arquitectónica de inegável qualidade e distinção, permitiu também à população Portuguesa (e não só!) tomar conhecimento da notabilíssima colecção de arte do Benemérito Arménio.
Na investigação científica, pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, deram-se também enormes contributos na projecção do nome de Portugal na investigação científica em áreas de medicina, biotecnologia, etc.
O exemplo de Gulbenkian, felizmente, inspirou outros a seguirem-no e, em Portugal, temos, pelo menos, mais dois exemplos relevantes: Fundação Champalimaud e Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A Fundação Champalimaud, com o Centro de Investigação Científica localizada junto ao Tejo tem a ambição de torna-se uma referência mundial na investigação científica de projectos na área da neurociência e oncologia. A criação da fundação depois da morte do seu mentor que lhe dá o nome, António Champalimaud, em 2004, fez, em pouco mais de seis anos, um Centro de Investigação que tem a colaborar nos seus projectos muitos dos principais cientistas da área de biomédica que irão cumprir o desejo de Champalimaud em contribuir para o bem-estar da Humanidade.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, orientada pelo sociólogo António Barreto, na sua escassa existência já dispõe dum trabalho visível e relevante para o conhecimento sociológico do país dos últimos cinquenta anos. A criação do PRODATA - Base de Dados de Portugal Contemporâneo é um dos produtos desse trabalho. Outro meritório trabalho, tem sido a publicação de ensaios com interesse para todos os Portugueses, porque são documentos que se dedicam a estudar aspectos concretos do nosso país e da nossa realidade (que todos devíamos dedicar atenção, principalmente muitos dos políticos que se mostram tão pouco informados). Dos ensaios já publicados destacam-se os títulos da “Economia Portuguesa” de Luciano Amaral e o “Justiça Fiscal” de Saldanha Sanches, entre muitos outros. Estes documentos que se comercializam a preços acessíveis vêm desmitificar o acesso à informação com a desculpa de ser cara e/ou incompreensível!
Estes exemplos comprovam que entre as Fundações existentes, algumas desempenham mesmo “serviço público” e servem o país. Muitas dessas instituições, de iniciativa privada, são a melhor manifestação da bondade dos seus fundadores e que deviam servir de incentivo a que muitas mais existissem, como acontece noutros países, nomeadamente nos Estados Unidos onde este tipo de instituições são mais comuns e têm maiores tradições (veja-se o caso da Fundação do Bill Gates, por exemplo e do trabalho que desenvolve).
Nos anos cinquenta, durante a vigência do “Estado Novo” de Salazar, surgiu a Fundação Calouste Gulbenkian. Esta instituição privada com carácter público veio dinamizar um país pobre, com pouco recursos e escassa oferta cultural, transformando, desde então, a oferta cultural, educação e ciência de Portugal. Quem não se recorda das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian que permitiram o primeiro contacto com a leitura de tantos jovens que viviam longe das escassas bibliotecas existentes na altura? E o inegável contributo ao proporcionar a oportunidade a jovens de poderem prosseguir os seus estudos com as “bolsas” que eram concedidas?
A partir de 1969, com a inauguração do edifício-sede em Lisboa que, além de ser uma obra arquitectónica de inegável qualidade e distinção, permitiu também à população Portuguesa (e não só!) tomar conhecimento da notabilíssima colecção de arte do Benemérito Arménio.
Na investigação científica, pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, deram-se também enormes contributos na projecção do nome de Portugal na investigação científica em áreas de medicina, biotecnologia, etc.
O exemplo de Gulbenkian, felizmente, inspirou outros a seguirem-no e, em Portugal, temos, pelo menos, mais dois exemplos relevantes: Fundação Champalimaud e Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A Fundação Champalimaud, com o Centro de Investigação Científica localizada junto ao Tejo tem a ambição de torna-se uma referência mundial na investigação científica de projectos na área da neurociência e oncologia. A criação da fundação depois da morte do seu mentor que lhe dá o nome, António Champalimaud, em 2004, fez, em pouco mais de seis anos, um Centro de Investigação que tem a colaborar nos seus projectos muitos dos principais cientistas da área de biomédica que irão cumprir o desejo de Champalimaud em contribuir para o bem-estar da Humanidade.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, orientada pelo sociólogo António Barreto, na sua escassa existência já dispõe dum trabalho visível e relevante para o conhecimento sociológico do país dos últimos cinquenta anos. A criação do PRODATA - Base de Dados de Portugal Contemporâneo é um dos produtos desse trabalho. Outro meritório trabalho, tem sido a publicação de ensaios com interesse para todos os Portugueses, porque são documentos que se dedicam a estudar aspectos concretos do nosso país e da nossa realidade (que todos devíamos dedicar atenção, principalmente muitos dos políticos que se mostram tão pouco informados). Dos ensaios já publicados destacam-se os títulos da “Economia Portuguesa” de Luciano Amaral e o “Justiça Fiscal” de Saldanha Sanches, entre muitos outros. Estes documentos que se comercializam a preços acessíveis vêm desmitificar o acesso à informação com a desculpa de ser cara e/ou incompreensível!
Estes exemplos comprovam que entre as Fundações existentes, algumas desempenham mesmo “serviço público” e servem o país. Muitas dessas instituições, de iniciativa privada, são a melhor manifestação da bondade dos seus fundadores e que deviam servir de incentivo a que muitas mais existissem, como acontece noutros países, nomeadamente nos Estados Unidos onde este tipo de instituições são mais comuns e têm maiores tradições (veja-se o caso da Fundação do Bill Gates, por exemplo e do trabalho que desenvolve).
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