Num país com centenas de Fundações, muitas apoiadas financeiramente pelo Estado, mas que na generalidade desconhece-se a sua existência e para que servem, confirma-se que as excepções servem para confirmar a regra. E as excepções são aquelas instituições que contribuem com um trabalho e serviço válido à sociedade onde o carácter da Fundação privada com interesse público prevalece.
Nos anos cinquenta, durante a vigência do “Estado Novo” de Salazar, surgiu a Fundação Calouste Gulbenkian. Esta instituição privada com carácter público veio dinamizar um país pobre, com pouco recursos e escassa oferta cultural, transformando, desde então, a oferta cultural, educação e ciência de Portugal. Quem não se recorda das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian que permitiram o primeiro contacto com a leitura de tantos jovens que viviam longe das escassas bibliotecas existentes na altura? E o inegável contributo ao proporcionar a oportunidade a jovens de poderem prosseguir os seus estudos com as “bolsas” que eram concedidas?
A partir de 1969, com a inauguração do edifício-sede em Lisboa que, além de ser uma obra arquitectónica de inegável qualidade e distinção, permitiu também à população Portuguesa (e não só!) tomar conhecimento da notabilíssima colecção de arte do Benemérito Arménio.
Na investigação científica, pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, deram-se também enormes contributos na projecção do nome de Portugal na investigação científica em áreas de medicina, biotecnologia, etc.
O exemplo de Gulbenkian, felizmente, inspirou outros a seguirem-no e, em Portugal, temos, pelo menos, mais dois exemplos relevantes: Fundação Champalimaud e Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A Fundação Champalimaud, com o Centro de Investigação Científica localizada junto ao Tejo tem a ambição de torna-se uma referência mundial na investigação científica de projectos na área da neurociência e oncologia. A criação da fundação depois da morte do seu mentor que lhe dá o nome, António Champalimaud, em 2004, fez, em pouco mais de seis anos, um Centro de Investigação que tem a colaborar nos seus projectos muitos dos principais cientistas da área de biomédica que irão cumprir o desejo de Champalimaud em contribuir para o bem-estar da Humanidade.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, orientada pelo sociólogo António Barreto, na sua escassa existência já dispõe dum trabalho visível e relevante para o conhecimento sociológico do país dos últimos cinquenta anos. A criação do PRODATA - Base de Dados de Portugal Contemporâneo é um dos produtos desse trabalho. Outro meritório trabalho, tem sido a publicação de ensaios com interesse para todos os Portugueses, porque são documentos que se dedicam a estudar aspectos concretos do nosso país e da nossa realidade (que todos devíamos dedicar atenção, principalmente muitos dos políticos que se mostram tão pouco informados). Dos ensaios já publicados destacam-se os títulos da “Economia Portuguesa” de Luciano Amaral e o “Justiça Fiscal” de Saldanha Sanches, entre muitos outros. Estes documentos que se comercializam a preços acessíveis vêm desmitificar o acesso à informação com a desculpa de ser cara e/ou incompreensível!
Estes exemplos comprovam que entre as Fundações existentes, algumas desempenham mesmo “serviço público” e servem o país. Muitas dessas instituições, de iniciativa privada, são a melhor manifestação da bondade dos seus fundadores e que deviam servir de incentivo a que muitas mais existissem, como acontece noutros países, nomeadamente nos Estados Unidos onde este tipo de instituições são mais comuns e têm maiores tradições (veja-se o caso da Fundação do Bill Gates, por exemplo e do trabalho que desenvolve).
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