Ao fim de cem anos da implantação da república falta aprendermos a ser republicanos!
O cidadão comum desconhece a essência do ser-se republicano; não é capaz de diferenciar os interesses privados dos públicos; demite-se de participar civicamente nas actividades que o envolvam a si e à sua família na sociedade; despreza os recursos do erário público por ignorância ou desconhecimento de que tudo o que se obtêm da República é resultado do contributo de todos; etc.
Os eleitos para os diversos órgãos de soberania ignoram as exigências que devem à República; desprezam a obrigação de decidirem em transparência no cumprimento do mandato que lhes foi confiado pela democracia; recusam clarificar as intenções do que desejam realizar no cumprimento do mandato que lhe foi confiado e em representação da República; esquecem o dever de informar e de partilhar as decisões que tomam no exercício do poder público que obriga a respeitar o interesse de todos em detrimento do privado; desrespeitam e lesam o erário público ao decidirem investimentos que hipotecam as gerações futuras, esquecendo o princípio de solidariedade inter-geracional; etc.
Nesta República, sem republicanos, não existem inocentes inimputáveis, mas existe uma oligarquia desligada da realidade colectiva que deveria ser a sua própria realidade, porque o mandato democrático não se resume ao sufrágio, de quatro em quatro anos, duma opção eleitoral, mas antes deveria ser um compromisso de proximidade e solidariedade entre eleitores e eleitos.
A classe dirigente que se preocupa em reduzir o número de escolas, serviços médicos, e outras funções essenciais que compõem as funções públicas do estado e esquece-se de tomar medidas para simplificar e melhorar a eficácia da organização do estado porque essas medidas colocarão em causa certos grupos de interesse que parasitam em torno dos dinheiros públicos não é um directório republicano. A verdadeira classe política republicana é a que escolhe o caminho de melhorar as condições de soberania do estado na procura por melhores e eficazes serviços públicos e é corajosa quando afronta os interesses privados que capturam o futuro de Portugal; é a que consegue oferecer igualdade de oportunidades aos que procuram assistência médica, social e de engrandecimento cultural; consegue transformar as desigualdades sociais em motivos que conduzem à solidariedade que permite o acesso à educação dos cidadãos, em igualdade de oportunidades, e desejam uma cidadania esclarecida e participativa; etc.
Daqui a cem anos, comemorar-se-á novo centenário da República Portuguesa, mas será que nessa altura já teremos republicanos e uma verdadeira República? Só com uma consciência dos valores da República se podem gerar republicanos e fazer-se cumprir o regime político.