Nesta crise, com os remédios que têm sido escolhidos para a tratar, arrastam-se muitos efeitos secundários.
A busca de finanças sãs está a afectar a economia social pela redução dos investimentos em sectores tradicionalmente da competência do Estado: saúde e educação. A redução das “gorduras” anunciadas, são meras subtracções ao sustento essencial da população mais pobre e desprotegida, e essas reduções de despesa têm recaído, na prática, sobre salários e pensões.
Nas receitas, através das mais variadas formas de obtenção de financiamento necessário ao funcionamento do Estado, vai-se paulatinamente agravando os impostos à generalidade da população (com especial incidência sobre uma classe média que se vai degradando), e sufoca-se a economia. O efeito perverso de tentar obter receitas a todo o custo está já a reduzir, em vez de as aumentar, e a derradeira fonte de obtenção de fundos que poderiam salvar o Estado da nação esvai-se como num doente que perde o sangue até à última gota.
As esperanças de salvação numa nova economia voltada para as exportações de produtos transaccionáveis também sofrem reveses. À medida que o efeito de contágio da crise vai-se alastrando a outros países da Europa (que fazem parte do principal mercado português para as exportações) as soluções que se pensavam salvíficas são-no cada vez menos.
O passar do tempo com as soluções a escassearem, mostra que o futuro mais previsível da Europa é perder domínio ou refugiar-se sobre si mesma, através de proteccionismos antigos. A globalização que parecia benéfica para a Europa, torna-se, cada vez mais favorável aos designados países emergentes (BIRC – Brasil, Índia, Rússia e China) e prejudicial à Europa Ocidental e países do eixo-atlântico (Estados Unidos e Canadá).
Na História do século passado, a crise da “Grande Depressão” dos anos trinta conduziu à proliferação de regimes autoritários predominados por ideologias nacionalistas e os indícios actuais parecem ditar que se caminha novamente para uma nova tragédia civilizacional na velha Europa.