sábado, 12 de março de 2011

Portugal “à rasca”

A revolução está eminente como em tantos outros momentos da História. Portugal, durante o século XX, foi sujeito a três revoluções que alteraram o ordenamento político nacional. Dessas revoluções fizeram-se monarquias em repúblicas, estados democráticos em ditaduras, e ditaduras em novas democracias.
A mudança da monarquia para a república alterou, fundamentalmente, a representação dum Estado de natureza constitucional monárquica para um regime parlamentar laico, com a separação dos poderes religiosos e políticos.
A ascensão do “Estado Novo” veio resgatar um Estado em eminência de insolvência e repor todas as ideias de sobriedade, para o corpo e para a alma, numa visão que acreditava na réstia de Portugalidade que estava dispersa na diáspora Lusitânia.
No final da 2ª Guerra Mundial o mundo alterou-se, finaram-se os regimes “musculados” que tinham florescido nos anos trinta (Estado Novo incluído), e os ventos de mudança sussurravam as vozes da libertação dos povos. Em Portugal, as elites só acordaram com a força dos furações (ou dos canhões que rugiram nas antigas províncias ultramarinas), e a força demolidora da realidade colocou a nu a insustentabilidade do “status quo”.
O 25 de Abril de 1974 foi a consequência duma letargia da nação à realidade, e não tanto a reacção duma vontade inamovível de mudança. Já passaram quase quarenta anos desde que o país se tornou numa democracia republicana e laica. Nestes anos sofreram-se as histerias da revolução e os benefícios de se ter aderido à comunidade económica europeia e à união europeia.
Neste último período da História de Portugal o país modificou-se. Continuou-se a cometer os erros de sempre e a acreditar que a melhor das curas é não se fazer o que é preciso ser feito (contrariando a cantiga do Abrunhosa), e que a espera dum tempo melhor só acontece se o país ficar quieto, calado a um canto à espera que a tempestade passe!
Este Portugal “à rasca” que hoje se insurge nas ruas mobilizado pelas novas gerações deseja-se que seja o epitáfio do “desenrasca” que tantos danos causou, ao longo dos tempos e em todas a gerações, em prejuízo de muitos e beneficio de muito poucos.

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