sexta-feira, 24 de junho de 2011

A noite mais curta e o dia mais longo: comemorações do S. João

Há uma noite que surge com o céu completado de estrelas diferentes, marcadas por luzes que iluminam o cenário novo que se abre para a noite escura. Nessa noite, as ruas para circulação transformam-se no lugar de todos. A cidade deixa de ter avenidas, ruas e vielas para ser um caneiro de gente que corre para o rio como um mar, e deixar, aos primeiros raios de sol, abraçar-se pelo Atlântico.
A mais curta noite do ano, que faz comungar o profano e o sagrado com a mesma devoção, celebra o Santo mais irreverente do Cristianismo com a circunstância e a pompa dos cultos profanos do passado e faz uma festa para crentes e foliões que nem se sabe bem quem são!
O solstício de Verão é dedicado a S. João, como o solstício de Inverno foi a Jesus. São as marcas duma religião adoptada por um Império pagão que não quis abandonar completamente os rituais anteriores para não arriscar perder o poder de mandar.
No S. João e na cidade do Porto completam-se todos os caminhos que vieram do Cristianismo e do Império. A noite curta dá largas à imaginação e leva nos balões que sobem no céu os desejos de converter os sonhos em realidade até ao raiar daquele dia. Em cada desejo vê-se um balão, e desse amontoado de novas luzes no céu renasce o sentido cósmico renovado todos os anos pela magia da noite que se encurta para deixar sobreviver o maior dos dias.
O ritual católico mostra a tímida oração da missa que serve de álibi ao sacrifício animal que irá alimentar a vontade insaciada do sabor da carne tenra, rara no passado, mais abundante agora, para comprovar a satisfação penitente da devoção cumprida ao longo de gerações esquecidas.
E no intervalo de todas as celebrações ouvem-se os “martelos” que se fizeram instrumentos de música e brincadeira!

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