Na passada sexta-feira, depois de dezoito dias ininterruptos de manifestações e protestos nas ruas do Cairo, o presidente Mubarak abdicou do cargo e entregou os destinos do país aos militares. O dia onze de Fevereiro de 2011 tornou-se no primeiro do resto das vidas dos Egípcios para alcançar a democracia. A partir de agora, aguardam-se muitas mudanças e a única certeza que aquele povo tem é que nada do que virá a acontecer no país será igual ao que até aqui perdurou.
A revolta, convocada pela internet a partir do facebook e twitter, iniciou-se na Tunísia e alastrou ao Egipto. Agora ameaça toda uma região de países com regimes “musculados” tutelados pelo Ocidente numa região estratégica para o mundo civilizado.
O ano de 2011 iniciou com um clima de incerteza herdado dum ano onde o “Euro” foi ameaçado a par do endividamento comprometedor de muito dos países que o constituem. Aparentemente sem motivos evidentes, surgiu no médio oriente, numa explosão de mudança, a geração dos jovens “deserdados” da perspectiva de emprego e futuro. O ano que parecia querer mostrar mais fundo o desânimo e a ausência de esperança, rebenta com a detonação dos mais jovens, num desígnio de mudança que faz acreditar num futuro melhor conduzido pelas novas gerações.
Em Portugal foi notícia da semana a descoberta duma idosa que estava desaparecida (e morta) dentro do seu apartamento há nove anos! Durante quase uma década, num bairro populoso da periferia de Lisboa a PSP e GNR ignoraram todas as chamadas de alerta de vizinhos e alguns familiares. A administração pública, tão diligente em cobrar impostos e outros tributos dos cidadãos, considerou normal alguém não reclamar o valor da sua aposentadoria, nem ter liquidado os impostos devidos e outras responsabilidades ao ponto de provocar o arresto dos bens, nomeadamente o apartamento.
Esta história é uma chamada de atenção para a situação de isolamento que muitos cidadãos vivem, principalmente as pessoas mais idosas. Alerta que não basta existir um “estado social” que garante algum rendimento aos nossos “seniores”, e que é importante que saibamos dignificar estes cidadãos com o carinho e a valorização da sua existência na recta final da vida, além de os não sujeitar ao abandono e ao esquecimento.
Um povo vale mais quando oferece uma perspectiva de futuro às gerações emergentes e é capaz de dignificar aqueles que garantam a memória desse povo. Parece que tanto numa como noutra situação ainda existe muito a fazer, e que só seremos uma sociedade melhor quando as gerações activas começarem a preocupar-se com as gerações vindouras e passadas.
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