As eleições presidenciais são já no próximo dia 23 de Janeiro, mas o ambiente que se encontra na população não faz adivinhar uma mobilização que vá orgulhar o candidato que venha a ser eleito. O mandato presidencial de Cavaco serviu, antes de mais, para demonstrar como a configuração do regime semi-presidencial e o cargo do presidente da república serviu pouco para mobilizar a esperança em Portugal. Este mandado presidencial, apesar das evidentes limitações do cargo político, tornou evidente uma incapacidade de usar a legitimidade do sufrágio universal para servir os interesses nacionais. A excessiva importância do peso institucional do cargo interpretada por um silêncio providencial conjugada com uma muito contida manifestação do que se pensa, fez do mandato de Cavaco Silva num dos mais frustrantes da história da democracia portuguesa.
Os debates entre os candidatos colocaram a nu as fragilidades do sistema político português e a importância da presidência em situações de crise. São nestas situações que surgem os grandes líderes carismáticos, porque são nos momentos de dificuldades que as oportunidades para discutir as ideias que façam o país caminhar para o progresso e a mobilização das energias fazem mais sentido. Não é com um silêncio comprometido e resignado que se desperta a esperança do país!
O presidente e candidato Cavaco Silva, obedecendo à sua estratégia amedrontada e sem rasgo para arriscar, só demonstra a fraqueza do seu espírito que lembra o país tímido, ordeiro, pobre e orgulhosamente só que Portugal rejeitou em Abril de 1974.
A situação política actual mostra um Portugal doente que tem as instituições da república desacreditadas. A crise financeira é o álibi de que o “rei vai nu” e que a verdadeira crise é da falência do regime e decadência dos políticos que governam (ou deixam governar, no caso do presidente) para servir alguns e sobrecarregar a maioria dos portugueses.
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