Há 625 anos, em 14 de Agosto, Portugal decidia o seu futuro como nação numa batalha desigual contra Castela. A orientação militar do Condestável, D. Nuno Alvares Pereira, genuíno herói-santo Português, conduziu o reino de D. João, Mestre de Avis, à vitória que assegurou a independência duma nação improvável cobiçada pela tentação hegemónica da super-potência de Castela.
Ao longo de quase 900 anos, a existência de Portugal viveu, muitas vezes no “fio da navalha”. Primeiro foi a forma imprevisível como nasceu Portugal, mas que resultou da inteligência corajosa do líder, D. Afonso Henriques, que usou mais a diplomacia e a estratégia do que a força da conquista para conseguir impor a sua ambição independentista, mas paradoxalmente foi o “Conquistador” que lhe serviu de cognome. Depois, na crise de 1383 a 1385, os interesses populares subjugaram as ambições das elites da nobreza e do clero e o país permaneceu independente e abriu-se para o Atlântico que alargou as fronteiras da fé e do território. Finalmente, em 1640 conseguiu restaurar a identidade, com o regresso da liderança aos Portuguesas e o abandono do domínio Castelhano. Ao longo de quase deste 900 anos de existência sobrepôs-se sempre a identidade Portuguesa ao domínio provável Castelhano, que sempre sonhou com uma união ibérica.
Os desafios actuais não são menores dos ultrapassados ao longo dos últimos séculos: a independência está mais em causa do que nunca, mas desta vez não é pelo combate visível das armas que tem de ser defendida, mas através da capacidade de saber usar os recursos do país para servir os Portugueses e garantir a independência relativamente aos credores estrangeiros.
O país tem a salvação no território; na cultura estruturada pela língua, costumes, monumentos e História; nos Portugueses. Basta-nos aprender a usar o território como fonte produtiva e aproveitar a especificidade do clima que concede uma agricultura diferenciada e elevar o potencial construído pela História, singularidade da cultura e costumes.
Todos os ingredientes para o sucesso, como no passado estão já estão ao dispor, basta aventurarmo-nos na confecção criativa desses ingredientes; deixar a criatividade funcionar e exigir às elites que nos “governam” liberdade para a iniciativa e rigor na gestão dos interesses de Portugal e dos Portugueses. A tolerância deve existir apenas na diversidade das ideias que engordam a seiva do progresso para que a exigência da utilização dos recursos de todos no interesse de todos seja o desígnio nacional.
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