segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O poder educativo da televisão

Nos últimos dias, para honrar a memória de António Feio e concretizar a merecida homenagem, muito se escreveu e relatou sobre as suas virtudes profissionais como actor e encenador. Relembrou-se a genialidade do humor inteligente das “conversas da treta” que tanto animaram o público e marcaram uma nova forma de fazer teatro de comédia, em parceria com José Pedro Gomes, tornando-se numa dupla de referência na representação Portuguesa.
Pessoalmente, relembro a sua voz inconfundível nas dobragens das séries infantis do princípio dos anos oitenta, que deu vida a personagens das “Fábulas da floresta verde”, “Alice no país das maravilhas”, “Willy Fog”, “Babar” entre outras. Relembro a qualidade das dobragens que se executavam naqueles tempos; as bandas sonoras com os nossos músicos, onde Jorge Palma e Sérgio Godinho eram presenças habituais. Mas principalmente, recordo o conteúdo dessas séries e a qualidade educativa associada ao lazer dos mais novos, prestando verdadeiramente um serviço público de referência.
Actualmente, com a generalização dos jogos electrónicos em consolas como a Xbox ou a PlayStation, os desenhos animados e outras séries infantis e juvenis tornaram-se em combates brutais perpetrados em ambientes exóticos imaginados como realidade de outras galáxias. A cultura duma tolerância endiabrada como a encontrada, por exemplo, nas “Aventuras de Tom Sawyer”, deu lugar a um espectáculo de sucessivos combates e violência que recordo ver, mais recentemente, em séries como “Dragon Ball”. A lógica de concorrência entre os canais generalistas de televisão conduziu a que tantos os canais privados como os públicos, se sujeitassem a uma lógica de captação de audiências sem se preocuparem com os conteúdos e a especificidade do público infantil e juvenil, na sua permissivo e ormação como futuros cidadãos responsáveis e conscientes.
É hora de, uma vez por todas, a televisão pública assumir as responsabilidades educativas como canal lúdico mas também didacta do povo Português e no caso, por exemplo, dos programas infantis e juvenis tornar-se mais criterioso na selecção dos programas e deixar para os canais privados a concorrência desenfreada pelas audiências.

1 comentário:

  1. Caríssimo Jorge... Rubicão!!! Devo dizer-lhe que, tirando a "foeirada" assente no Dragon Ball, concordo com tudo o que escreveu de forma eloquente e clara.

    Continue assim, porque se o sonho comanda a vida, a opinião transforma a sociedade.

    Um bem-haja...

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