terça-feira, 9 de novembro de 2010

Portugal e o futuro

Em 1415, no dia 22 de Agosto, Portugal, pela mão de D. João I e acompanhado pelos príncipes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, conquistava Ceuta e dava início ao período mais glorioso da sua História. O domínio da praça africana iria permitir controlar a rota comercial que fazia circular bens valiosos como eram as especiarias, o ouro, pedras preciosas, etc., além de que, nas imediações da cidade, era abundante o cultivo de trigo que sempre fora deficitário em Portugal.
Depois de conquistada a cidade de Ceuta por Portugal, os circuitos comerciais que a ela afluíam foram alterados pelos muçulmanos e, rapidamente, a cidade tornou-se num problema por ser mais um “sorvedouro de gente e dinheiro” do que um rentável entreposto comercial.
O mais importante na tomada de Ceuta não foi os benefícios que trouxe para a nação, mas porque marcou o início duma estratégia para o crescimento do país: Portugal sempre esteve “encurralado” entre o mar e Castela, impedindo-o de “alargar os horizontes” territoriais para a nobreza e o clero e, a partir de certa altura, alargar também os mercados ambicionados pela classe social emergente da Burguesia. A expansão marítima do século XV foi uma audácia para um país com aquela dimensão, mas ensinou que o mais importante é possuir uma estratégia de futuro e ter a coragem de aventurar-se na sua demanda.
Hoje, falta a Portugal um impulso estratégico. Passados quase seiscentos anos desde a conquista de Ceuta, falta recuperar a vontade de saber procurar novos mercados. O mundo está em mudança, a correlação de forças entre as nações transformou-se rapidamente nos últimos vinte anos: o final da “guerra fria” bipolar que repartia a influência entre dois blocos – Estados Unidos da América e União Soviética – cedeu o lugar a um mundo multipolar, onde ganharam destaque países tão distintos como a China, o Brasil, a Índia, a Rússia, etc.
As novas potências emergentes surgiram como uma ameaça, mas também se constituirão uma oportunidade! O desenvolvimento económico daqueles países formará, a médio prazo, um mercado apetecível para todo o tipo de produtos que não sejam capazes de produzir e que possuam uma identidade própria. No passado recente, cedemos à facilidade de aceitar trocar a nossa identidade agrícola e industrial em troca de contra-partidas financeiras legadas pela União Europeia. A crise que se sente já não nos permite iludir as facilidades do acesso ao crédito de outros tempos. Vai ser indispensável, para ultrapassar as dificuldades, ter de regressar à produção agrícola e industrial para compensar o enorme desequilibro da balança comercial e reduzir, desta maneira, a dependência externa.
Esta não é a altura para ceder ao desânimo, mas o momento para encarar o futuro com a perspectiva que é possível inverter a crise e fazer renascer uma nação chamada Portugal que tem novecentos anos de História com momentos grandiosos e ruinosos que sempre foram ultrapassados. Este é o momento de encarado a situação actual como uma oportunidade de fazer um país melhor: com uma estratégica partilhada por cada Português que deseja responder às suas responsabilidades cívicas. É o momento de libertar o país das “ervas daninhas” que corromperam e impediram que o engenho nacional florescesse para beneficiar alguns poucos interesses privados que nunca estiveram interessados no bem desta nação ancestral, mas apenas nos seus mesquinhos interesses conquistados à custa da usurpação do esforço dos Portugueses.

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